domingo, 13 de novembro de 2011

Como assim, você não cantou Save a Player?

Descobrir-se aos 42 anos completos com sentimentos de 12 anos é inédito para mim por motivos óbvios, nunca tive 42 e não se espera ter 42 com sentimentos de 12. Esperamos em 30 anos ter as respostas para as inquietações, palpitações, asfixias, dislexias, fobias, antipatias, simpatias e teimosias e quando sua banda favorita toca no palco da sua cidade, certo, pode ser de seu país quando a banda é internacional e você é morador da Rua Ramalhete...mas o motivo de minha perplexidade em frente ao Duran Duran não ter tocado e cantado uma frase sequer de save a player é ter esperado enquanto adulta madura que penso ser me sentido como uma pré-adolescente que fui ao não ser convidada para dançar no bailinho da escola a minha música tema, Save a player, pelo menino pão a quem eu paquerava. Um sentimento doido esse, de rejeição, abandono, inferioridade, e solidão sem igual. Sim, Simon, foi assim que me senti hoje, tão 12 anos.
O que me consola é que outras 60 mil pessoas sentiram-se assim também, e estavam lá carentes, desejam ouvir, save a player. Inquietante esse sentimento e grito coletivo.

Mas ainda que uma comunicadora social seja obrigada a avaliar o consciente coletivo antes de soltar uma bomba esta crônica é pessoal e a avaliação também. Somos mesmos meninos e meninas cheios de expectativas diante de nosso objeto de desejo e por quem queremos ser apreciados. Eu só queria ouvir save a player como ouvi todas as outras músicas desta banda que amei tanto pelo mesmo motivo, me saber mais sábia para lidar com minhas desventuras. Ia lembrar-me de cada nota solitária da música e de cada sentimento com eco que ela me provocou aos 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18 , 19, 20, 21...e finalmente, me saber liberta aos 42. E aí, vem você Simon, meu escorpiano, tão sexy, e nem tão bonito quanto o John Taylor, entretanto incrivelmente atraente quebra minha cura pelo tempo deixando de tocar a música do encanto. Como assim você não cantou Save a Player?

 

Ainda bem que existe o Peter Gabriel para tocar os nossos rocks favoritos com orquestra e como toda pinta de tiozinho dizendo de maneira clara e subliminar ao mesmo tempo: o tempo passou ok? E o que eu fiz foi lindo, mas a gente pode suavizar para ficar aprazível para nossos ouvidos não tão jovens e para nosso coração não tão valente.


Claro, estou falando em metáforas de mim mesma. Dei-me conta em dois festivais de rock seguidos, com ídolos da minha adolescência “nunca dantes imaginados neste país”, que sou tão eu mesma como há 20 ou 30 anos. E perplexa com minha juventude não tão resolvida assim numa carcaça não tão jovem assim, concluo, estou na famosa crise da meia idade. Que patético. Será que vou sentir-me assim aos 62? Espero que não, seria pior ainda. Talvez o Peter não chegue cantando tão bem até lá e o Simon, com certeza, não vai conseguir rebolar e ter sex appeal aos 70 anos. Também não sei se Steve Wonder vai conseguir deitar no chão, tocar e levantar com dignidade. E os rapazes do Legião Urbana vão cantar com os netos “pais e filhos”? Estranha todas essas possibilidades que me emocionaram sobremaneira este ano de 2011 num futuro com mais 20 anos. E com este pensamento, concluo, o tempo e oportunidade são únicos. O que realmente espero é sentir emoção daqui 20 anos, e não seria nem um pouco ruim ouvir save a player e chorar com a mais pura emoção ao lembrar de um grande amor da juventude que estará lá, escancarada dentro de mim.


P.S. Peter e sua orquestra me fizeram chorar ao tocar mercy street e nem lembrei de qualquer amor perdido mas de meus amigos mais queridos.