sábado, 31 de dezembro de 2011

Adeus e até breve

Muitas delicias estavam preparadas para o meu fim de ano.

E ainda que a colocação que me permitiu fazer parte do serventuário público foi a de número 66, gostaria de terminar meu ano com 7, e esta é a crônica de número 7 do ano 2011, um ano de muitas duplicações. Aliás não joguei na mega sena da virada porque teria de jogar 11, 22, 33, 44, 55 e claro 66, mas não há 66 no jogo. Também decidi não jogar porque conheci Philip Yancey, um sulista americano que entende de cristãos, de amor e de graça. Ele praticamente me lembrou como é ser moradora da Mercy Street, e o montante da mega sena não é necessário lá.

Meus últimos dias de 2011 me fizeram repetir adeus e até breve muitas vezes. Confesso ao mundo que odeio adeus, e sempre preferi até breve. Por favor, volte logo, sempre quero que você volte logo. Não fui feita para ficar muito tempo longe de você. Este é o meu sentimento sempre que me despeço de alguem que amo...de lugares que amo...de histórias que amo.

E lá estamos indo para 2012, e só quero chegar lá porque reencontrarei alguns de quem me despedi em 2011. O meu apego ao que é bom é tão louco que sequer gosto de me despedir do ano que amei. Neste caso, estou aqui na minha cerimônia do adeus a 2011.  E seria bom repetir 77 vezes que me perdôo, perdôo você, pelas bobagens que fizemos. E também gostaria de esquecer ( lembrar não é cristão) que  nem foram tantas bobagens assim. 

Contudo, não posso ir embora sem agradecer pelos desencontros que me fizeram encontrar outras saídas e pessoas. Dos atrasos, dos não, dos talvez e dos mais tarde que encontraram o momento certo para acontecer.  E preciso agradecer também aos que não me surpreenderam positivamente, me fizeram lembrar que sou falível, pouco prática, ansiosa e teimosa. Ainda há muito a descobrir, a melhorar, a suavizar, a engrandecer, a perceber, e até mesmo a crescer. Enquanto escrevo isso, uma pomba veio passear na calçada da minha vizinha, e levantou voo quando uma garota de guarda-chuvas não percebeu o milagre do passeio investigativo/vespertino da pomba. Também vi o vizinho ermitão oferecer ajuda as manicuras que não conseguiam dar partida no carro, um caso de engasgo e desaquecimento. Coisas como essas pequenas e únicas me inspiram a encontrar 2012 com o mesmo olhar de aprendizado, com a expectativa de que o mundo com despedidas pode ser ainda um lugar perfeito para se viver.

P. S. Obrigada Pai pelo frio e a chuva de fim de ano. Estou adorando este dia, como amei 2011.

domingo, 13 de novembro de 2011

Como assim, você não cantou Save a Player?

Descobrir-se aos 42 anos completos com sentimentos de 12 anos é inédito para mim por motivos óbvios, nunca tive 42 e não se espera ter 42 com sentimentos de 12. Esperamos em 30 anos ter as respostas para as inquietações, palpitações, asfixias, dislexias, fobias, antipatias, simpatias e teimosias e quando sua banda favorita toca no palco da sua cidade, certo, pode ser de seu país quando a banda é internacional e você é morador da Rua Ramalhete...mas o motivo de minha perplexidade em frente ao Duran Duran não ter tocado e cantado uma frase sequer de save a player é ter esperado enquanto adulta madura que penso ser me sentido como uma pré-adolescente que fui ao não ser convidada para dançar no bailinho da escola a minha música tema, Save a player, pelo menino pão a quem eu paquerava. Um sentimento doido esse, de rejeição, abandono, inferioridade, e solidão sem igual. Sim, Simon, foi assim que me senti hoje, tão 12 anos.
O que me consola é que outras 60 mil pessoas sentiram-se assim também, e estavam lá carentes, desejam ouvir, save a player. Inquietante esse sentimento e grito coletivo.

Mas ainda que uma comunicadora social seja obrigada a avaliar o consciente coletivo antes de soltar uma bomba esta crônica é pessoal e a avaliação também. Somos mesmos meninos e meninas cheios de expectativas diante de nosso objeto de desejo e por quem queremos ser apreciados. Eu só queria ouvir save a player como ouvi todas as outras músicas desta banda que amei tanto pelo mesmo motivo, me saber mais sábia para lidar com minhas desventuras. Ia lembrar-me de cada nota solitária da música e de cada sentimento com eco que ela me provocou aos 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18 , 19, 20, 21...e finalmente, me saber liberta aos 42. E aí, vem você Simon, meu escorpiano, tão sexy, e nem tão bonito quanto o John Taylor, entretanto incrivelmente atraente quebra minha cura pelo tempo deixando de tocar a música do encanto. Como assim você não cantou Save a Player?

 

Ainda bem que existe o Peter Gabriel para tocar os nossos rocks favoritos com orquestra e como toda pinta de tiozinho dizendo de maneira clara e subliminar ao mesmo tempo: o tempo passou ok? E o que eu fiz foi lindo, mas a gente pode suavizar para ficar aprazível para nossos ouvidos não tão jovens e para nosso coração não tão valente.


Claro, estou falando em metáforas de mim mesma. Dei-me conta em dois festivais de rock seguidos, com ídolos da minha adolescência “nunca dantes imaginados neste país”, que sou tão eu mesma como há 20 ou 30 anos. E perplexa com minha juventude não tão resolvida assim numa carcaça não tão jovem assim, concluo, estou na famosa crise da meia idade. Que patético. Será que vou sentir-me assim aos 62? Espero que não, seria pior ainda. Talvez o Peter não chegue cantando tão bem até lá e o Simon, com certeza, não vai conseguir rebolar e ter sex appeal aos 70 anos. Também não sei se Steve Wonder vai conseguir deitar no chão, tocar e levantar com dignidade. E os rapazes do Legião Urbana vão cantar com os netos “pais e filhos”? Estranha todas essas possibilidades que me emocionaram sobremaneira este ano de 2011 num futuro com mais 20 anos. E com este pensamento, concluo, o tempo e oportunidade são únicos. O que realmente espero é sentir emoção daqui 20 anos, e não seria nem um pouco ruim ouvir save a player e chorar com a mais pura emoção ao lembrar de um grande amor da juventude que estará lá, escancarada dentro de mim.


P.S. Peter e sua orquestra me fizeram chorar ao tocar mercy street e nem lembrei de qualquer amor perdido mas de meus amigos mais queridos.





quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Amor e Primavera – sobre a natureza de cada um



A primavera chegou ao nosso jardim, sim nossa primavera plantada no vaso há 10 anos floresceu no inverno contrariando todas as expectativas e anunciou que a primavera seria viva e cheia de seus milagres.

Mas o que anunciou a primavera deste ano foi a limpeza de nosso jardim de inverno. Minha mãe contratou um jardineiro infiel às raízes brasileiras que não soube aparar os cabelos do nosso coqueiro anão, que agora além de anão é careca também. Por outro lado, temos kalanchoes pipocando por todos os lados.

Bem, avisei a minha mãe que o cabelo do coqueiro há de crescer assim como o meu, afinal nada como a chuva de primavera para cuidar do crescimento daquilo que não queremos ver crescer como o mato do quintal.


E a natureza segue seu curso, minha mãe fala do para eu tomar cuidado com os restos de minha higiene matinal na pia como boa virginiana que é enquanto eu recordo como é divertido ver as paredes caírem depois de muita marretada no meu ambiente de trabalho. Explico: por lá acontece uma reforma enquanto precisamos trabalhar, as pessoas correrem de um lado para o outro com suas cadeiras e mesas, a poeira vai junto e eu como boa escorpiana que sou, adoro fim de capítulos ou ressurreição, principalmente se os dois acontecem no mesmo espetáculo. Nada mais natural e primaveril do que sermos exatamente o que somos. O bom é virmos com uma roupagem diferente em cada situação para enganarmos os desavisados, assim como na primavera. Você começa um doce pela manhã, no almoço fica amuada, a tarde eufórica e termina a noite deprimida. Logo há movimento e com movimento ninguém fica entediado e as pequenas imperfeições são perdoadas e só enxergamos as belezas no final.

Já estou chegando no final da história e acabo de perceber que a primeira palavra que digitei foi Amor. Ah, o amor. Já estava esquecendo-me de inseri-lo na primavera ou na natureza de cada um, como queiram. Vamos ilustrar da seguinte maneira, que filme, música, cor ou perfume de primavera tem razão de ser sem amor? Desafio você a responder?...?...?claro, não há razão de ser. A primavera é a pura essência do amor na natureza, cheio de altos e baixos, com 12 horas para cima e para baixo, com frio e calor, com água e com seca e assim, irresistível, com pólen e tudo. Deus revelou-se. Eu me revelo, tu te revelas, ele se revela, nós nos revelamos , vós vos revelais, eles se revelam primaveris.











quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Sobre ascendentes e respostas



Comentei com o Tiago que quando estamos bem enxergamos coisas não usuais em crises de inferno astral, TPM, véspera de apresentação de projeto, ou na fossa propriamente dita. Dias desses peguei um livro que adorei ler - Consultório Psicológico - e relendo um capítulo viajei numa única explicação sobre traumas da primeira infância que aparecem na sua vida conjugal do nada e você nem sequer sabe que é um trauma de infância. Bem, aquilo fez muito sentido para mim e 48 horas depois tinha vários "traumas" puxados do guarda-roupa inconsciente e desfilados por categoria de estragos. Penso que posso ter criado uma crise só por querer examiná-los de perto.

Mas refleti em abençoado estado de relaxamento após festa de aniversário materno que as respostas demoram a vir mas quando vêm fazem todo sentido. Infelizmente em nossa pós-modernidade odiamos esperar pela resposta, seja no google  ( muito rápido) à lembrança da tia que estava na hora em que você levou uma bronca porque tentou roubar um brigadeiro da mesa das bodas da vizinha, e sua raiva é porque ela não entendeu a humilhação que você passou ao ser advertida publicamente sobre seu comportamento guloso infantil. Claro que depois disso você passou a ser achar gorda, e apesar de ignorar os brigadeiros da festa, fez questão de comer todos os olhos de sogra, casadinhos, cajuzinhos e pirulitos disponíveis. Como numa tragédia grega em que você se vinga de você por gostar de brigadeiros e não ser como as outras crianças que furtam o doce sem que nada aconteça. O problema é que por vezes maldizemos a nossa visibilidade e sei que vários famosos dariam um braço para ter um dia de incógnitos. Mas voltando a história das respostas, sei que esse é nosso maior problema, a pressa da conclusão. E claro, assim como nosso inconsciente adora brincar de esconde-esconde, na vida tantas respostas estão ocultas aguardando nosso amadurecimento para que elas possam se achegar. Você pode pensar que estou de brincadeira, mas as respostas podem ter vida própria e sabem exatamente quando aparecer. E se você fizer um exercício rápido ( claro, você odeia exercício demorado) lembrará de algo que parecia estranho ontem mas que hoje, depois de determinada informação adicional, parece claro como o dia.
Dia desses uma amiga do nada propôs uma viagem entre amigas para um país exótico. Pensei por que não passeamos por perto mesmo? Se a proposta é uma descoberta em conjunto temos várias opções nacionais desconhecidas. Dias depois descobri que o marido de minha amiga viajou com amigos para um país exótico e de repente a proposta de minha amiga pareceu-me clara como o dia. Fui tão solidária que praticamente passei a estudar roteiros de viagem ao exterior. Sim, se eu tivesse aberto a boca e perguntado o motivo não teria descoberto tão facilmente as intenções da minha amiga. Sim, o tempo. Para o ansioso é o pior dos pesadelos, mas para os tranquilos é a melhor caminho para se chegar ao nirvana. Ah, você ainda não descobriu o nirvana? Sinto em dizer, mas você ainda não deve estar preparado para ele. É preciso relaxar e deixar que as coisas aconteçam, as respostas venham, e a primavera floresça. Não há problema em ter objetivo, mas há problemas em não desfrutar do caminho até ele. Boa caminhada e saiba que o inferno astral do ascendente existe...é melhor você descobrir qual é o seu ascendente antes de brigar com a família, o chefe e a torcida do flamengo e ficar sem saber quem matou Salomão Hayala.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Abril, Outono e U2



Se existe algo realmente difícil de descrever é o momento em que todas as suas emoções se misturam, como numa palheta, e você vê todas as cores e ao mesmo tempo todas parecem uma única cor. E nesse momento, meio arco-iris, meio dia branco, você se sente pleno como nunca. Com certeza você já passou por um momento assim sabe que tudo parece com os fogos de artificio dos filmes, explosão de cores e alegria. Mas, certamente, sem a imagem parece impossível descrever.

Passei por dois momentos desses neste abril 2011.


Tudo muito familiar. O primeiro foi dia 3, logo depois que cheguei da Bahia. Passei o sábado com o Tiago e o Domingo com a familia em eventos diversos, mas no final do dia eu me sentia com uma sensação de plenitude incrível. Eu, perfeitamente, sã, morena, no frio mogiano, sem nenhum evento ou motivo marcantes, mas ali plenamente feliz, indo para cama com a sensação  da última frase de um capítulo dos Waltons - boa noite , Jonh-boy- boa noite, Mary Hellen. O final feliz de um dia cheio de aventuras.



O segundo dia foi no dia 10, show do U2. Bem, para quem foi ao show 360 ou para quem já foi a um show do U2 é sabido que você vai ter um êxtase sem precisar de droga ou sexo para isso. A não ser que você não goste e vá com intuito de provar que há dezenas de milhares de pessoas loucas e que você é o único que vê isso. Mas se você vai para se deleitar, amigo, todo dinheiro que você empregar no ingresso ainda sai barato. Pelo comentário nas diversas páginas eletrônicas de relacionamento no Brasil e no mundo, não tem mesmo explicação. Todas as emoções se afloram e você chora, ri, pula, canta, vai para dentro, vai para fora, treme, esquenta e esfria, e ainda acontecem as mais diversas e primitivas emoções que colocadas ali, juntas, dão uma sensação inesquecível. Por isso, achamos que é o fim do mundo, no bom sentido, e que fomos para o céu porque só mesmo lá para sentir tanta coisa boa. Aliás, vai aqui um pedacinho do show que fui para você ter uma idéia: http://www.youtube.com/watch?v=yJ0ArnbTvjQ

Sim, claro, precisei da imagem e do som emprestados do youtube para exemplificar.
Mas, a ideia querido ou querida, é que a sensação boa de que tudo pode dar certo e que você sente amor, muito amor por você e por todos está disponível por aí. Sim, felizmente, não acontece só no show do U2. Mas a banda que fala de Deus e amor ao próximo só podia mesmo suscitar essas emoções. Meu momento predileto do show foi ouvir Amazing Grace + Where the streets have no name, me senti num culto de verdadeira expressão. Já tive tantos bons momentos na vida, com essa sensação maravilhosa de plenitude, e por mais que eu conte detalhes dessas histórias faltariam cores. Por outro lado, creio que tudo pode vir de um efeito cascata. No dia 5, fui para Sampa com amigos e no caminho, lá estava ele, o arco-iris. Muita coisa tinha acontecido no meu dia, mas aquele arco mudou todo o meu sentimento. O vimos da serra, e ele começava e terminava na terra do caqui. Parece lenda? Sim, a vida está cheia de momentos de contos de fábula, junte um e outro e você verá que é protagonista de uma linda história de amor. O seu trabalho é justamente esse, juntar para ganhar momentos inexplicáveis de felicidade que durarão por toda temporada.

Adoro o outono e esse começou especialmente bem. Quero dedicar este texto aos queridos que já curtiram e me presentearam com momentos inigualáveis de plenitude, sim, vão faltar folhas nessa árvore, mas elas já fizeram seu trabalho poético e as agradeço por isso com todo fervor do meu coração. Amo vocês familia, amigos e também aqueles que ficaram pouco mas representaram muito. Um ótimo outono para todos com todo amor que houver nessa vida.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Férias de Mim


Meu modelo de relaxamento tem sido, esquecer quem eu sou para lembrar-me de quem sou.
Não é um modelo fácil, por isso preciso de cenário, conteúdo e matéria diferenciados. Inclusive a primeira coisa que faço ao chegar à antítese do meu cotidiano é ser eu mesma ao cubo...sim, proteção ao ego e a estrutura familiar de conforto. Não é fácil deixar de sermos quem somos, mas se não o fizermos não relaxamos e, por conseguinte, não entendemos e não poderemos desfrutar da dor e da delicia de sermos nós mesmos. Muito louco esse sistema de proteção e negação do ego. Mas deixando a psicologia parcialmente de lado, fui para o mar, para o mato, para o sol. E quando cheguei lá fiquei maravilhada e ao mesmo tempo incomodada com tanta coisa boa. Ao entrar em contato com o primitivo me vejo completamente urbana, como se tudo fosse lindo e completamente estranho e insuficiente para minha alegria. Já sentiu isso? O cenário é tão perfeito que você sente que não foi feito para o papel? Então sabe o que sinto no paraíso. São dois dias para me acomodar. Tenho todo tipo de neura com os pernilongos, aranhas, formigas, baratas e qualquer comunidade de inseto que viva pacificamente no local. Me pergunto se eles não “se tocam” que cheguei e não to a fim de conversa e nem aproximação. Não sei exatamente porque mas essa classe adora me bajular, fazendo festa, com comitê de recepção. Penso que eles sabem que detesto. E exatamente por isso é mais legal fazer festa para mim.
Pois bem, depois de adaptada, mantendo meus inseticidas e desinfetantes a postos, protejo-me do sol, apesar de precisar dele desesperadamente. Fator 50 pelo lombo, busto e barriga, sem esquecer dobras de neném. Vermelho em mim nunca foi desejado. Daí sigo para a areia que quero amassar e o mar que quero invadir. Mas tudo com cautela, que é para eles não perceberem minhas más intenções. E lá vou eu, uma invasora e ladra do espaço natural, bicho de outra região. Mais ou menos um urso tomando banho no mar equatorial, entende? Algo assim fora de questão. E quando entro, algo em meus DNA lembram-se que não sou assim tão estranha ao ambiente. A areia sorri para minhas pegadas e o mar vem de mansinho  me lamber e dançar comigo. Tudo parece como da última vez em que nos vimos e somos novamente um, integrados, mulher e paraíso. Ai que delicia, lembro exatamente da selvagem que vive em mim e esqueço toda minha urbanidade. “Prazer estar contigo...um brinde ao destino...será que o teu signo tem a ver com o meu...”
Assim é, desconstruo minha personagem e assumo sem medo. E depois de 5 dias, já estou conversando com a aranha, tolerando a formiga e não socando a barata. Já respeitamos espaços. Agora, porque é que eu tava nervosa mesmo antes de chegar ao paraíso? Hã? Era isso...acho que não...estou confusa. De frente para toneladas de areia e azul sem fim o que pode ser maior do que o poder natural? Qual é mesmo minha contribuição para o planeta? Ou porque me preocupo com coisas que estão escondidas mas que são trazidas pela ressaca do mar? Não sei. E por isso relaxo. Não há exatamente nada fora do lugar ou fora da hora, da estação, do dia. Posso dormir. E ao acordar o mar estará lá, as árvores também, e as formigas terão juntado mais terra. Quanto a quem sou, descubro que sou teimosa e brigo com o mar, pois ele me manda para terra e volto para ele sempre, só para provar que tenho opinião e dignidade. Mas isso é tudo. Aliás vou dormir...o mundo tem girado como antes e Deus tem olhado para ele com ternura.


 



domingo, 9 de janeiro de 2011

Dia 09




Dia 9.
Gosto especialmente deste dia. Nasci num dia nove, num mês que começa com nove, no ano de 69, logo, tudo é nove.
O nove é um número da generosidade e do todo, mas ele tem muita personalidade porque seus múltiplos somados sempre dão nove. Ele é um fim em si mesmo. Mas estou aqui em 9 de janeiro porque passei 9 de novembro e 9 de dezembro um tanto ocupada para escrever. Ainda que nesses dias minha criatividade estivesse a mil, e eu tivesse nove mil  motivos para relatar e partilhar. Mas nem sempre nossa vontade encontra o caminho da partilha. E então, dois dias antes de voltar para o trabalho, e aos nove dias do ano de 2011, aqui estou  para partilhar as últimas nove inspirações da minha vida.

1. Dia 07 de novembro almocei com a familia no restaurante Apolo  e depois nos reunimos em casa para comer o famoso bolo de morango da minha mãe, sim, feito em minha homenagem. Às quatro da tarde minha amiga Adriana surge com suas filhas pequenas, a leonina e a canceriana, para dar um abraço, e festejar minha nova idade visto que no dia 09 não seria possível. Tive um momento absolutamente rejuvenescedor com essas duas gatinhas de 5 e 1 ano.  A leonina muito adaptada ao meu quarto, depois de experimentar meus colares e meus chapéus pediu para eu "por um som" para dançar. Encontrei no dial do meu rádio-relógio um putz putz que deixou a baixinha à vontade. Depois de acender meu abajur de luz vermelha, ela dançava e se exibia no meu espelho. Enquanto eu e a canceriana pulávamos a valer. Bem, considerando meus 40 anos de diferença de uma e os 36 da outra, acho que passei no teste da balada da nova geração. Realmente, ainda dou conta, foi um ótimo incentivo para meus 41.

2. Dia 09 de novembro, meu aniversário, foi comemorado entre linhas de metrô e trem, e com as palestras da HSM, que incluiam Philip Kotler, um ícone do marketing. Meu amor arrumou um jeito de eu participar e meu dia foi de pensamento lógico, cultura pop e marketing direto, com direito a várias cervejas mas só tomei uma, visto que meu cérebro precisava funcionar com toda sua potencia. Bem, adorei "pensar" e  "repensar" como se tudo fosse sempre assim e, confesso que tenho pensado e repensado muito desde então sobre tudo. Um ótimo jeito de se começar a nova idade e nova década.

3. No mesmo dia 09, tomei chuva e tomei sol, íamos para o topo do mundo e acabamos num bar underground.  E com todas as possibilidades e imprevisibilidades, adorei minha noite com carrocel, pastel, bolinho, e ainda sorvete com vela e parabéns de um punhado de estranhos. E entendi, que minha psicóloga tinha toda razão, quando me disse que o melhor é não ter controle sobre nada para sermos felizes de verdade. Amém.

4. No começo de dezembro, exatamente no dia 09, tivemos a confraternização da empresa. Mas minha surpresa aconteceu logo pela manhã, quando um de nossos líderes pediu a palavra no culto da manhã. Ele expôs sua vida, dissecou a história de sua familia que naquele momento passava por uma crise e disse que precisava apenas compartilhar com sua outra familia - empresa - porque a familia deve sempre ser a primeira a saber porque é a primeira a poder ajudar. Para mim, foi a imagem e a mensagem do dia. Ele foi tão audacioso na exposição que ganhou uma "familia" inteira neste dia. E pensei, que ironicamente, um líder sempre esconde ao invés de mostrar e quantas adesões ele perde por isso. Me diverti posteriormente na nossa confraternização mas as palavras de humildade e audácia daquele pastor ainda mexem comigo. Um exemplo eficaz e perfeito de comunicação empresarial.

5. Recebi do meu amigo Paulo, que mora no Canadá, uma linda foto com sua familia e sua casa em terras de neve. Entendi pela alegria que senti ao revê-lo tão bem em sua nova realidade que o amor é um sentimento que ignora geografia e física. Contemplamos a felicidade de quem amamos e isso nos faz feliz independente da latitude ou longitude. A mesma sensação sinto quando falo com a Eliana que liga diretamente da Italia em datas comemorativas, e falamos como se tivéssemos nos encontrado ontem. O amor é irmão da saudade mas ao contrário dela, desconhece a física.

6.  A comemoração do natal aconteceu imprevisivelmente aqui em casa em 2010. Não me recordo de nenhuma outra festa natalina, na história da familia, ter ocorrido aqui. Mas já dizia J Quest " tudo que acontece na vida tem um momento e um destino". Este foi o primeiro natal que eu e minha irmã tínhamos convidados especiais, também tivemos algumas baixas, membros que não estavam presentes aqui, mas em outros lugares. E ainda, um natal em que minha mãe não estressou. Enfim, um natal atípico, mas cheio de milagres das recordações. Vimos muitas fotos, lembramos de como éramos, de quem éramos e entendemos porque somos do jeito que somos. E o espírito bom do natal esteve presente na generosidade e no amor. Glória nos céus e na terra. Aleluia.

7. Após o Natal, entrei em férias, e desfrutei da alegria de dormir. Sim, dormir. Como é bom deitar na nossa cama sem hora para acordar. Rejuvenesci cinco anos  em três dias dormindo bem, suficientemente e sem nenhum compromisso. Preciso escrever uma ode ao sono. Meu pai era daqueles bons homens que não precisam dormir, dizia que teria uma eternidade para isso. Gostaria de ter herdado sua vontade de estar acordado. Mas, nisso, sou minha mãe, alguém que precisa dormir, por horas e horas e horas. Sou tão simpática, alegre, feliz só porque dormi, que qualquer patrão deveria considerar isso para me contratar. Infelizmente, ainda não utilizaram esta forma de incentivo ao empregado, que poderia trazer lucros infindáveis para as empresas que investissem no sono de seus colaboradores. Ah mundo ideal... Se você me contratar para entrar às 9h, não vai se arrepender. Te garanto.

8. Deus está nas relações, muito mais do que em qualquer lugar do mundo. Me alegrei e me entristeci com tantas atitudes do cotidiano porque podia ver. Nos meus dias de férias observei o mundo como vitrine e interagi de muitas formas. E sem nenhuma busca intensiva e sem nenhuma pesquisa exclusiva vi gente maltratando gente da mesma familia e também desconhecidos. E vi gente sendo gentil com gente que também não conhecia. Mas entendi pela observação, pela longas conversas com amigos e pela leitura de autores em busca de Deus que sua relação com o outro mostra quem é seu Deus.  E que Deus de maneira maravilhosa e singular se manifesta em nossas vidas pelo outro, nos dando oportunidade de sermos egoístas ou generosos, amáveis ou intolerantes, alegres ou carrancudos, e que nossa atitude revela a quem adoramos, muito mais do que quaquer sermão que venhamos a pregar.
Quero adorar a Deus como se deve em 2011, amando e servindo muito mais do que em qualquer outro ano de minha vida.

9. Entendi que não se pode estar cheio inteiramente de amor por alguém. Eis um copo que nunca está completamente cheio, porque sempre é possível amar mais, de outras formas, encontrar outros caminhos e facetas e se apaixonar pelo novo que está no mesmo. Entendi que amamos alguém e devemos estar preparados para amarmos de novo, como se fosse a primeira vez, porque nunca se é igual e o amor se transforma assim como nós nos transformamos, no mesmo giro do mundo. E que isso é fantástico e poderoso, e mais importante, possível. Meu desejo para 2011 é:  todo amor que houver nesta vida para você, e mesmo assim, você descobrirá muitos outros...tenho certeza.