quinta-feira, 14 de abril de 2011

Abril, Outono e U2



Se existe algo realmente difícil de descrever é o momento em que todas as suas emoções se misturam, como numa palheta, e você vê todas as cores e ao mesmo tempo todas parecem uma única cor. E nesse momento, meio arco-iris, meio dia branco, você se sente pleno como nunca. Com certeza você já passou por um momento assim sabe que tudo parece com os fogos de artificio dos filmes, explosão de cores e alegria. Mas, certamente, sem a imagem parece impossível descrever.

Passei por dois momentos desses neste abril 2011.


Tudo muito familiar. O primeiro foi dia 3, logo depois que cheguei da Bahia. Passei o sábado com o Tiago e o Domingo com a familia em eventos diversos, mas no final do dia eu me sentia com uma sensação de plenitude incrível. Eu, perfeitamente, sã, morena, no frio mogiano, sem nenhum evento ou motivo marcantes, mas ali plenamente feliz, indo para cama com a sensação  da última frase de um capítulo dos Waltons - boa noite , Jonh-boy- boa noite, Mary Hellen. O final feliz de um dia cheio de aventuras.



O segundo dia foi no dia 10, show do U2. Bem, para quem foi ao show 360 ou para quem já foi a um show do U2 é sabido que você vai ter um êxtase sem precisar de droga ou sexo para isso. A não ser que você não goste e vá com intuito de provar que há dezenas de milhares de pessoas loucas e que você é o único que vê isso. Mas se você vai para se deleitar, amigo, todo dinheiro que você empregar no ingresso ainda sai barato. Pelo comentário nas diversas páginas eletrônicas de relacionamento no Brasil e no mundo, não tem mesmo explicação. Todas as emoções se afloram e você chora, ri, pula, canta, vai para dentro, vai para fora, treme, esquenta e esfria, e ainda acontecem as mais diversas e primitivas emoções que colocadas ali, juntas, dão uma sensação inesquecível. Por isso, achamos que é o fim do mundo, no bom sentido, e que fomos para o céu porque só mesmo lá para sentir tanta coisa boa. Aliás, vai aqui um pedacinho do show que fui para você ter uma idéia: http://www.youtube.com/watch?v=yJ0ArnbTvjQ

Sim, claro, precisei da imagem e do som emprestados do youtube para exemplificar.
Mas, a ideia querido ou querida, é que a sensação boa de que tudo pode dar certo e que você sente amor, muito amor por você e por todos está disponível por aí. Sim, felizmente, não acontece só no show do U2. Mas a banda que fala de Deus e amor ao próximo só podia mesmo suscitar essas emoções. Meu momento predileto do show foi ouvir Amazing Grace + Where the streets have no name, me senti num culto de verdadeira expressão. Já tive tantos bons momentos na vida, com essa sensação maravilhosa de plenitude, e por mais que eu conte detalhes dessas histórias faltariam cores. Por outro lado, creio que tudo pode vir de um efeito cascata. No dia 5, fui para Sampa com amigos e no caminho, lá estava ele, o arco-iris. Muita coisa tinha acontecido no meu dia, mas aquele arco mudou todo o meu sentimento. O vimos da serra, e ele começava e terminava na terra do caqui. Parece lenda? Sim, a vida está cheia de momentos de contos de fábula, junte um e outro e você verá que é protagonista de uma linda história de amor. O seu trabalho é justamente esse, juntar para ganhar momentos inexplicáveis de felicidade que durarão por toda temporada.

Adoro o outono e esse começou especialmente bem. Quero dedicar este texto aos queridos que já curtiram e me presentearam com momentos inigualáveis de plenitude, sim, vão faltar folhas nessa árvore, mas elas já fizeram seu trabalho poético e as agradeço por isso com todo fervor do meu coração. Amo vocês familia, amigos e também aqueles que ficaram pouco mas representaram muito. Um ótimo outono para todos com todo amor que houver nessa vida.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Férias de Mim


Meu modelo de relaxamento tem sido, esquecer quem eu sou para lembrar-me de quem sou.
Não é um modelo fácil, por isso preciso de cenário, conteúdo e matéria diferenciados. Inclusive a primeira coisa que faço ao chegar à antítese do meu cotidiano é ser eu mesma ao cubo...sim, proteção ao ego e a estrutura familiar de conforto. Não é fácil deixar de sermos quem somos, mas se não o fizermos não relaxamos e, por conseguinte, não entendemos e não poderemos desfrutar da dor e da delicia de sermos nós mesmos. Muito louco esse sistema de proteção e negação do ego. Mas deixando a psicologia parcialmente de lado, fui para o mar, para o mato, para o sol. E quando cheguei lá fiquei maravilhada e ao mesmo tempo incomodada com tanta coisa boa. Ao entrar em contato com o primitivo me vejo completamente urbana, como se tudo fosse lindo e completamente estranho e insuficiente para minha alegria. Já sentiu isso? O cenário é tão perfeito que você sente que não foi feito para o papel? Então sabe o que sinto no paraíso. São dois dias para me acomodar. Tenho todo tipo de neura com os pernilongos, aranhas, formigas, baratas e qualquer comunidade de inseto que viva pacificamente no local. Me pergunto se eles não “se tocam” que cheguei e não to a fim de conversa e nem aproximação. Não sei exatamente porque mas essa classe adora me bajular, fazendo festa, com comitê de recepção. Penso que eles sabem que detesto. E exatamente por isso é mais legal fazer festa para mim.
Pois bem, depois de adaptada, mantendo meus inseticidas e desinfetantes a postos, protejo-me do sol, apesar de precisar dele desesperadamente. Fator 50 pelo lombo, busto e barriga, sem esquecer dobras de neném. Vermelho em mim nunca foi desejado. Daí sigo para a areia que quero amassar e o mar que quero invadir. Mas tudo com cautela, que é para eles não perceberem minhas más intenções. E lá vou eu, uma invasora e ladra do espaço natural, bicho de outra região. Mais ou menos um urso tomando banho no mar equatorial, entende? Algo assim fora de questão. E quando entro, algo em meus DNA lembram-se que não sou assim tão estranha ao ambiente. A areia sorri para minhas pegadas e o mar vem de mansinho  me lamber e dançar comigo. Tudo parece como da última vez em que nos vimos e somos novamente um, integrados, mulher e paraíso. Ai que delicia, lembro exatamente da selvagem que vive em mim e esqueço toda minha urbanidade. “Prazer estar contigo...um brinde ao destino...será que o teu signo tem a ver com o meu...”
Assim é, desconstruo minha personagem e assumo sem medo. E depois de 5 dias, já estou conversando com a aranha, tolerando a formiga e não socando a barata. Já respeitamos espaços. Agora, porque é que eu tava nervosa mesmo antes de chegar ao paraíso? Hã? Era isso...acho que não...estou confusa. De frente para toneladas de areia e azul sem fim o que pode ser maior do que o poder natural? Qual é mesmo minha contribuição para o planeta? Ou porque me preocupo com coisas que estão escondidas mas que são trazidas pela ressaca do mar? Não sei. E por isso relaxo. Não há exatamente nada fora do lugar ou fora da hora, da estação, do dia. Posso dormir. E ao acordar o mar estará lá, as árvores também, e as formigas terão juntado mais terra. Quanto a quem sou, descubro que sou teimosa e brigo com o mar, pois ele me manda para terra e volto para ele sempre, só para provar que tenho opinião e dignidade. Mas isso é tudo. Aliás vou dormir...o mundo tem girado como antes e Deus tem olhado para ele com ternura.