Estou numa ansiedade destrutiva. Não é daquele tipo de ansiedade que se corrige trocando a fonte do texto porque Times New Roman irrita, mas daquele tipo de ansiedade que faz você virar no avesso procurando algo pelo que se preocupar de verdade. A não aceitação de si mesma faz você rosnar para qualquer maluco que insista em ser simpático rindo para você. Faz você procurar pêlo em ovo, faz você odiar todo e qualquer contato com o bonitão que te adicionou no Messenger porque você está horrível, e ainda que esteja off line ele pode descobrir isso. A minha ansiedade de insatisfação coloca meu nome na lista das mais intragáveis, horrendas, pérfidas e cheirosas criaturas da sociedade das mal amadas. Digo cheirosas porque não posso pensar em sentir fedor, mesmo que seja intelectual. Digo mal amada porque sempre damos esse nome para aquelas não queridas por nós. E como hoje não sou querida por mim, estou na lista. Bem, diria Dr Cezar, um maravilhoso consultor para assuntos da psique, é necessário um pouco de amor próprio. Sim, por isso mesmo estou escrevendo. Pelo menos nas letras não corro o risco físico, afinal, meu flagelo é moral. E sim, este texto é dedicado a você que já ficou muito ansiosa tentando entender o que realmente te chateia. Se tudo, ou o conjunto das partes que você não gosta, que neste momento são quase todas. Neste desabafo rasgado e forte para o horário das 21, pretendo identificação com você mulher pós-moderna que não se interessa por casamento, filhos ou brincadeiras de casinha, mas que ao mesmo tempo acha lindo tudo isso nas outras. Para você que chora quando um homem chora e ao mesmo tempo culpa Deus por ter feito Adão primeiro. E claro, para você que como eu adora a companhia masculina principalmente se você pode seduzi-la sendo apenas mulher. Pois é, ainda não sei se sofro por me assumir tão desconexa, ou se sofro por entender que tenho pânico da conexão, mesmo adorando os choques conseqüentes dela. E também sofro pelos meus modelos favoritos, Marília Gabriela vestida de Carrie Bradshaw com a despretensão da Madre Tereza de Calcutá. Ou Sonia Braga, vestida de Sissi, sentada na cadeira da Condoleezza Rice. E ainda Elizabeth de Orgulho e Preconceito, vestida de Madonna, dando curso de literatura comparada. Bem, são todos ótimos modelos, mas não posso vivê-los ao mesmo tempo e querendo ser tudo isso e não sendo, fico ansiosa. Bem, se você se identificou com qualquer uma de minha nóias, saiba que fico feliz. Afinal, nada como poder repartir com uma amiga nossa impossibilidade de perfeição num momento de confusão hormonal.
E também quero agradecer pela possibilidade de expandir meus horizontes de gênero a você homem que se aventurou por algum motivo escuso ler este texto. Ah, se você sorriu, é porque tenho toda razão.
A garota do blog chegou. Diferente de outras histórias, aqui a garota pensa, reflete, aprofunda-se, vira-se do avesso e mergulha no mar de sentimentos humanos a procura de bolinhas coloridas com sinais de que o caminho para a beira da praia está certo. Sarcástica, inteligente, espirituosa, sensível, dramática e inevitavelmente passional, os textos desta garota são verdadeiras jóias. Por isso, abra seu relicário.
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