Em janeiro, hortênsias.
Em fevereiro, março, abril também...e se for possível, vá até o fim do ano, ou ao final do Brasil, lá no Chuí. Sempre amei hortênsias, elas enfeitavam o clube que eu freqüentava quando criança e, sempre me encantou a fartura de várias florzinhas numa única flor. Coisa de mulher farta. Felizmente, a hortênsia ficou mais comum no sudeste. Antes era coisa do sul, e por conta desta popularidade, meu jardim tem três vasos de hortênsias, e não contente, comprei dois buquês no Varejão domingo, que foram parar no banheiro pois a sala está ocupada com rosas e flores do campo. E felizmente para o banheiro, as toalhas desta semana são azuis e as hortênsias se sentiram super à vontade. Estão mais bonitas agora do que no dia em que as adquiri. E sim, você deve estar pensando que esta crônica não vai sair do azul. É mais ou menos isso, decidi falar sobre o azul hortênsia, que incrivelmente é fundo de minha tela hoje. A Terra é azul, já dizia o russo, mas não qualquer azul, o azul é uma cor atrevida que adora variações. Não sou evolucionista mas diria que se há evolução em alguma cor, deve ser no azul, ele gosta de adaptação, imaginação e inspiração. Então vive encantando e surpreendendo expectadores dos mais variados, de astronautas a botânicos, de poetas à estilistas, de pintores a cientistas. Ah, o azul, uma cor Divina, e tão incrivelmente chique, sóbria e até fria, quem poderia imaginar tristeza em vermelho? Não é possível, só o azul compreende depressão, tristeza e melancolia. Mas também só ele esclarece paz e alegria. E veja você a hortênsia que não é boba, nem nada, uma flor plural, adotou os tons de azul para sua roupa. E eu, quase com inveja, vivo querendo este azul, em vestidos, em canetas, em objetos que tem aquela figura, aquela pintura que só mesmo o azul com a hortênsia consegue realizar. E vou deixando você aí meio azulado com meu tema, porém ainda tenho algo a acrescentar: neste janeiro, pessoas e flores passaram azulejando meu jardim. E quase que como numa sinfonia de tons, fui da mais profunda melancolia a mais intensa alegria que não poderia traduzir de outra forma se não fosse pela hortênsia florida que sorriu para mim nesta manhã. Um feliz 2012 para você também!

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